A única coisa que o ser humano carrega desde seu nascimento até a sua morte é o corpo. Esse é o mote de “Corpo Humano: Real e Fascinante”, uma polêmica mostra que já rodou o mundo e aporta na Oca do Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Clique aqui para ver uma galeria de imagens.
A exposição chega ao Brasil após passar pela Inglaterra, Coréia do Sul e México, além de contar com exibições paralelas nos Estados Unidos e Holanda.
Numa concepção diferenciada e inédita, estarão expostos 16 corpos e 225 órgãos verdadeiros para revelar – em todos os seus aspectos – o funcionamento do corpo humano e seus sistemas.
Antes de assumirem sua pose perene, as peças passam por uma técnica chamada polimerização, para obter resultados que evidenciam com absoluta precisão as variações e diferenças apresentadas por nossa espécie.
Desenvolvida em caráter prioritariamente educativo, sob direção médica do norte-americano Dr. Roy Glover, professor emérito de Anatomia e Biologia Celular e diretor-chefe do Laboratório de Preservação Polímera da Escola Médica da Universidade de Michigan, “Corpo Humano: Real e Fascinante” estimula também a interatividade, uma vez que dispõe de setores onde o público pode tocar órgãos internos reais – experiência até então inimaginável para a maioria das pessoas.
Os corpos e órgãos dissecados são usados para revelar a função de um sistema anatômico completo e seu papel no organismo como um todo. Além disso, para possibilitar uma melhor compreensão de como maus hábitos ou doenças podem interferir em seu funcionamento, órgãos saudáveis e não-saudáveis são colocados lado a lado.
Extrapolando as fronteiras da anatomia, propõe uma discussão sobre saúde e Enta falta de conhecimento do próprio ser humano em relação ao seu corpo – levando-o a “maltratá-lo” com falta de exercício, poucas horas de sono, uso de álcool e drogas e má-alimentação.
“A exposição é inspiradora ao renovar o exercício do auto-conhecimento e oferecer a chance de compreendermos melhor nossa existência, para reeducar nossos próprios hábitos”, ressalta Fernando Alterio, presidente da CIE Brasil, empresa de entretenimento e marketing cultura responsável pela mostra. Em sua opinião, a riqueza de detalhes e informações proporcionadas pelo formato inovador irão cativar e surpreender o público visitante.
Dissecando a exposição O espaço foi dividido em nove setores para representar cada sistema do ser humano: Esqueleto, Sistema Muscular, Sistema Nervoso, Sistema Respiratório, Sistema Digestivo, Sistema Urinário, Sistema Reprodutor, Sistema Circulatório e O Corpo Tratado. Nesse último segmento são lembrados o desenvolvimento de e os equipamentos que auxiliam os médicos na sala de cirurgia.
Polimerização A técnica de conservação foi originalmente desenvolvida pelo anatomista alemão Gunther von Hagens, tido como inventor do método de plastinação de corpos, que o tornou mundialmente conhecido.
O processo consiste em retirar toda a água e gordura do corpo ou órgãos e músculos, injetar uma resina sintética que, com a propriedade de conservar preparados biológicos, permite plasticidade por um bom tempo antes de enrijecer.
A técnica facilita o manuseio, o corte, transporte e exposição dos corpos, sem deixar nenhum tipo de aroma. A evolução da mumificação! Era utilizada originalmente em aulas práticas para estudantes de medicina, mas, por causa da durabilidade e flexibilidade alcançada, que possibilitam dar formas e poses aos corpos, von Hagens acabou criando o que batizou de “arte anatômica".
A partir disso e de outros estudos surgiram procedimentos semelhantes, como a polimerização.
Num primeiro momento, os corpos são embalsamados e recebem um agente de preservação que evita a decomposição normal dos tecidos. Depois, um dissecador treinado passa a prepará-lo, de acordo com orientações prévias para sua exibição a um determinado público. No caso de corpos inteiros, esta etapa do processo pode levar meses, ao contrário de órgãos em separado, cuja preparação se dá mais rapidamente.
A seqüência do processo prevê a desidratação, realizada com imersão em acetona, que substitui os líquidos corporais e é facilmente eliminada em forma de vapor na etapa seguinte – a câmara de vácuo. Submetido a um gradual aumento de pressão, o corpo libera a acetona em forma de gás e a substitui por uma solução aplicada de polímeros em silicone líquido – inclusive em nível celular.
Para complementar a transformação do corpo, um agente catalisador é aplicado em sua superfície e reage com um composto chamado crosslinker, que enrijece a consistência do silicone, permitindo inclusive uma colorização seletiva para torná-lo mais adequado à exibição pública. O resultado é uma espécie absolutamente seca, inodora e resistente à decomposição, além de um conjunto de corpos humanos permanentemente preservados para exposição. Para se ter uma idéia da longevidade do processo, os corpos mais antigos foram preparados no fim da década de 70 e ainda continuam sendo usados em universidades de medicina pelo mundo.
Conforme relata o Dr. Roy Glover, “durante muitos anos foram idealizados modelos para representar o corpo. Porém, eles não permitem nenhuma variação estrutural – o que consideramos fundamental para a percepção das diferenças na formação corporal de cada indivíduo”. Em sua análise, Dr. Glover lembra que, até hoje, apenas estudantes de medicina e médicos tiveram a oportunidade de observar o funcionamento interno dos corpos – o que torna “Corpo Humano: Real e Fascinante” uma oportunidade única para o público em geral explorar os mistérios de sua própria existência.
Esses corpos são de quem? Segundo os organizadores, todos os corpos e órgãos exibidos são de indivíduos acometidos de morte natural, que optaram por participar de um programa de doação de seus próprios corpos em benefício da ciência e da educação, realizado pela República Popular da China.
A iniciativa fornece material anatômico para comunidades médicas e científicas, para fins educacionais e de pesquisa, não só em solo chinês – onde estão os maiores especialistas na dissecação de corpos – como também no exterior.
Ainda existem alguns questionamentos sobre a legitimidade desse programa de doação, a real origem dos corpos e a ética do procedimento, o que gera ainda mais fascínio na matéria prima ainda viva.
Corpo Humano: Real e Fascinante Site oficial: www.exposicaocorpohumano.com.br Em cartaz: a partir de 1º de março (28/02 – abertura para convidados) Local: OCA – Pq. do Ibirapuera, Portão 03 (1º andar - Acesso p/ deficientes e Ar condicionado) Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº. Horários: de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 20h. Classificação etária: Livre - menores de 12 anos acompanhados do responsável. Preço: R$ 30 - inteira / R$ 15 - meia-entrada (De 0 a 2 anos – grátis e de 3 a 6 anos – meia-entrada) Agendamento de escolas: Diverte Cultural: (11) 3666-9990/ atendimento@divertecultural.com.br Vendas de Ingressos: Central Ticketmaster: por telefone, entrega em domicílio (taxa de conveniência e de entrega): (11) 6846-6000, das 9h às 21h - segunda a sábado. Pela Internet: www.ticketmaster.com.br |