Tijuana, um nome de fronteira. É assim que se chama a nova galeria projetada por Paulo Mendes da Rocha e José Armênio de Brito Cruz para funcionar como um anexo de mais 500 m2 à Galeria Vermelho.
Com este novo espaço, que será dedicado a exposições, livros de artistas, vídeos e outros projetos arrojados, a Vermelho incorporou a fronteira do seu espaço e se consolidou como um dos lugares mais gostosos dedicado à arte na cidade de São Paulo.
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Uma espécie de praça reina no meio dos três prédios que, além da Vermelho e da Tijuana, abriga também um restaurante especial, o Sal. Nesse pátio interno impera a visão da fachada da Vermelho, sempre ocupada por algum artista. Nos dias de vernissage, é como se uma rave de apaixonados pela arte tomasse a praça, sempre ao som de uma orquestra de laptops que extrai uma trilha sonora exata para o encontro de artes e olhares. Nos outros dias, como durante este feriado, a calmaria reina no espaço. É possível observar todas as obras demoradamente, discutir as obras sem pressa, sentar nos bancos e completar o percurso com um uma bela refeição.
No anexo Tijuana, além de uma mostra de livros de artista sobre prateleiras irregulares desenhadas pela OVO, estão trabalhos de vários dos 40 artistas que compõem o time da Vermelho, entre eles Rosângela Rennó, Cris Bierrenbach e Ana Tavares.
No pavilhão da Vermelho, Daniel Senise é a estrela da mostra que fica até o próximo sábado, dia 17. Com obras gigantescas Senise joga com o gesto da pintura. Brinca de desfazê-lo ao estender telas sudários pelo chão de seu ateliê, deixando-as se impregnarem de marcas. Uma pintura de absorção, uma captura do acaso, da poeira, dos restos, das marcas que o cotidiano impregna no ateliê de forma quase táctil. Mas sobre estes sudários, o pintor Senise reage. Como mestre perspectivista ilusiona infinitos pontos de vista. Caixas, prateleiras, pisos. Nunca o ponto de fuga permanece no mesmo lugar. O olhar também não. Obrigado a se aproximar e se afastar, o olho percorre os labirintos encaixotados de acaso, os espaços intermediários, salta sobre os limites, encontra novas fugas. O resultado, estampado nos gigantescos trabalhos que recobrem a Vermelho até o dia 17, é imperdível.
Quando: de terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 17h, até 17/11. Onde: Galeria Vermelho (Rua Minas Gerais, 350, tel. 3257-2033) Site: http://www.galeriavermelho.com.br/ |
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